terça-feira, 9 de novembro de 2010

Estruturação Sintática

Oi Pessoal

Hoje resolví escrever minhas próprias idéias sobre o ensino e o aprendizado da língua. Ainda estou escrevendo o texto, portanto seu  comentário vai ser muito útil. 


O problema da análise sintática como método de ensino da língua é que não se pode dividir o que nunca foi reunido. Antes de haver a dissolução do todo, precisa haver um todo. A menos que haja um processo de estruturação sintática, anterior ao de análise, jamais conseguiremos alcançar o nosso objetivo.

A estruturação sintática precisa partir da organização das idéias do próprio indivíduo. O que tem sido feito até hoje é precisamente o contrário. Uma coleção de frases é apresentada ao aluno, com o propósito de fundamentar uma teoria gramatical. O aluno é, então  convidado a decalcar estruturas similiares, sobre as regras gramaticais aprendidas. Nisso consiste o que chamamos de "ensino da lingua". 

O efeito dessa metodologia é tão pernicioso, que algo absolutamente estranho acontece: a maioria fracassa ou se torna medíocre no seu desempenho acadêmico. Escrevemos mal, lemos mal, falamos mal e pensamos errado. A ilogicidade  e a ineficiência dominam todas as etapas do processo e a culpa, na minha opinião, é do método.
Primeiro o homem pensa, depois fala, em seguida escreve e, por último, lê o que escreveu. A avaliação do todo é feita, então, por meio de um método analítico. Cada parte é considerada isoladamente e depois as relações entre elas são estabelecidas.
Para que o ensino se torne eficaz, é necessário respeitar o processo natural de produção do texto. Em primeiro lugar o aluno precisa falar. Somente através da identificação da estrutura do pensamento do indivíduo é possível estabelecer as relações de causa e efeito. Ora, não há como identificar tais estruturas impondo o silêncio a quem fala. O pensamento não nos é comunicado sem a intermediação da fala. 
 
Permitir que o aluno fale, organizando seu próprio discurso é a forma natural de resolver o problema. O papel do professor será, em primeiro lugar, o de ouvir e analisar o discurso do aluno, identificando as lacunas na sua estrutura lógica. A avaliação também precisa respeitar o processo analítico verdadeiro:  primeiro o discurso em seu aspecto estrutural ( lógico ), depois a análise de suas partes.
 
A correção deve permitir que o aluno reflita sobre o que escreveu.  O importante é a nova tentativa de estruturar seu próprio discurso.  O professor deve  conduzir o aluno, de forma indutiva,  a um processo de descoberta das lacunas no seu raciocínio. 

De forma bem simples, a proposta pode ser resumida na seguinte sequencia:
  
1. Descubra um tema conhecido pelo aluno ( ninguém fala sobre o que que ignora )

2. Verifique se há interesse do aluno pelo assunto ( ninguém fala sobre algo pelo que não tem interesse ). 
3. Peça que ele gaste tempo pensando no que vai falar; depois deixe o aluno falar livremente sobre o assunto e observe a estrutura do seu discurso. 
4. Peça ao aluno que escreva sobre o que falou.

5. Observe se a composição do texto escrito corresponde ao discurso falado. 

6. Estruture o discurso escrito pelo aluno. A "redação" precisa ser feita pelo professor. Depois de ler a redação feita pelo professor, o aluno vai identificar as diferenças entre o que a escola chama de norma culta e o que ele fala. 
Pelo processo de comparação, o professor vai explicar como produziu o texto gramaticalmente correto, a partir da fala do aluno. A "redação modelo" substitui os clássicos da língua nos exemplos da gramática. Eles vão entrar na história depois.

7. Usando os exemplos do texto escrito pelo aluno, selecione os tópicos gramaticais necessários para a correção. ( não é o texto que precisa ser corrigido, e sim o aluno )

8. A análise sintática será a última etapa do processo. O aluno aprenderá a usar as estruturas gramaticais, organizando seu próprio discurso e corrigindo sua própria fala, da qual a escrita é mero instrumento.
9. A redação refeita servirá de roteiro para a reconstrução do discurso falado. 
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Abraços




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